O petróleo tem que ser nosso

O petróleo tem que ser nosso

O petróleo é nosso? Infelizmente, não. Em 1997, FHC quebrou o que havia de monopólio estatal nesse setor. Desde então, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) leiloa áreas com petróleo e gás natural pra empresas estrangeiras e brasileiras. A Petrobrás se tornou Petrobras, quase virou Petrobrax e segue a lógica Petrobra$, com cerca de 70% do seu capital em mãos privadas, inclusive na bolsa de (anti)valores de Nova Iorque. Mesmo o Estado, que detém mais ou menos 55% das ações com direito a voto, faz (quase) tudo o que o Seu Mercado manda. Enfim, esse recurso natural foi privatizado e nós, o povo, só recebemos migalhas. Pra piorar, a Petrobra$ atua de modo subimperialista em alguns outros países, como a Bolívia e o Equador.

Lula, que criticava essas medidas de FHC, passou sete anos de governo sem reverter o quadro. Agora, propôs um ajuste no marco regulatório. Sequer consultou o povo na preparação dos projetos e mesmo assim o conclamou a se engajar de corpo e alma nesse debate. Na verdade, o que o atual governo quer é aplausos pra que sua proposta seja vitoriosa no Parlamento. As “mudanças” defendidas pelo governo são só pra parte do pré-sal que ainda não foi leiloada. E não mudam o fundamental da lei que está em vigor. Além disso, a Petrobra$ se parece cada dia mais com qualquer outra transnacional, ainda que ponha maquiagem quando se apresenta a alguns públicos. Pra ela, assim como para as demais corporações, a pátria é o dinheiro e as pessoas não passam de consumidores, se conseguirem. Cidadãos? Seres humanos? Essas palavras só saem da boca das corporações como hipocrisia.

Pra que o petróleo seja realmente nosso, pra que ele esteja a serviço do povo brasileiro, em solidariedade com outros povos, tem que estar sob controle dos trabalhadores. Somos nós que o transformamos em riqueza. Entretanto, nunca somos sequer consultados sobre os rumos da Petrobra$ e do setor de petróleo no nosso país. Pra mudar de verdade isso, precisamos derrotar o domínio do mercado sobre as fontes energéticas. Mas a experiência histórica nos mostra que isso é insuficiente.

Todo o poder ao povo

Nas décadas de 1940 e 1950, com a campanha O petróleo é nosso, o povo brasileiro conquistou o monopólio estatal da exploração, produção, transporte e de quase todo o refino desse recurso, além da criação da Petrobrás como uma empresa de economia mista, controlada pelo Estado. Foi uma grande vitória contra os entreguistas, que defendiam O petróleo é Esso, e, nos anos 1920, diziam que não havia petróleo no Brasil. Foi um passo importante rumo à verdadeira independência do país. Porém, o nacionalismo limitou essa conquista. A Petrobrás sempre serviu muito mais aos grandes capitalistas, brasileiros e estrangeiros, do que ao povo. Mesmo quando sua parcela nas mãos do Estado era muito maior e quando havia o monopólio estatal no setor, os petroleiros e o conjunto da classe trabalhadora nunca tiveram o direito de definir qual deveria ser a política energética e como a Petrobrás deveria funcionar. Na democraCIA ou na democraC&A, o máximo que se permitiu aos trabalhadores foi sugerir formas de cumprir melhor as ordens dos patrões.

Somente com o setor de energia e a Petrobrás autogeridos pela classe trabalhadora teremos liberdade pra decidir o que fazer, sempre pautados na reflexão de por que fazer. Que Petrobrás queremos? Que política energética queremos? É a partir da resposta coletiva e prática a perguntas como essas que o povo poderá construir uma sociedade livre, igualitária e fraterna, em que a economia esteja a serviço da vida e não o contrário. E somente o povo organizado será capaz de impedir que outros decidam em seu nome.

Algumas propostas:

– Exploração racional do petróleo (inclusive na petroquímica) e das demais energias sob controle da classe trabalhadora

– Petrobrás e demais empresas de energia sem ações em bolsas de (anti)valores e sob controle da classe trabalhadora

– Transição mais rápida e controlada pra uma matriz energética com predominância de fontes o menos poluentes e perigosas possível

– Contra os leilões do petróleo e do gás, que são privatização

– Pelo acesso democrático à energia

– Contra o plantio extensivo destinados aos agrocombustíveis

– Fim da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Bicombustíveis (ANP)

– Troca do Conselho Nacional de Política Energética por um Conselho Popular de Política Energética

– Integração solidária entre os povos em relação à energia e fim do imperialismo e do subimperialismo nessa área, inclusive como forma de lutar contra as guerras em torno das fontes de energia

Organização Popular

Be the first to start a conversation

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: