Cartas abertas do Bloco de Luta pelo Transporte Público

Cartas abertas do Bloco de Luta pelo Transporte Público

CARTA ABERTA A IMPRENSA

PORTO ALEGRE, 29 DE FEVEREIRO DE 2012

Nós trabalhadoras e trabalhadores, desempregados e desempregadas, estudantes, moradoras, moradores e artistas de ruas que compomos o Bloco de Luta Por um Transporte Público, viemos por meio desta carta aberta, expressar nossa indignação, revolta e repúdio sobre as veiculações publicadas pela imprensa corporativa que além de trazer matérias tendenciosas, informações falsas e deturpações de fatos nos tornando criminosos, realiza um estrondoso desserviço a sociedade cometendo o crime de injuria e impossibilitando que a população tenha conhecimento aos fatos que defendam os interesses de natureza coletiva e popular.

As reportagens que saíram nos jornais Correio do Povo e Zero Hora e foram exibidas nos telejornais Bom Dia Rio Grande, Jornal do Almoço e Jornal Hoje da RBS/Rede Globo; Jornal da Record, Fala Brasil e Balanço Geral RS da Rede Record em nenhum momento corresponde as posições reais dos coletivos e indivíduos que constrói e participam do bloco, nem reflete os anseios, as propostas e as nossas reivindicações. Insistem em caracterizar nosso movimento como estudantil e isto agride e menospreza nossos esforços, por reduzir nossa pluralidade a uma categoria que pertence a alguns e não a todos.

Somos um bloco apartidário, autônomo sem representantes, sem líderes, que estimula a democracia direta organizando-nos de forma plural com vários coletivos e indivíduos, discutindo estratégias e decidindo acordos por consenso. Nunca em nenhum momento, em nossas assembleias, atos de rua e eventos públicos foram elegidas ou delegadas pessoas que pudessem falar sobre nosso movimento. A tentativa do Rodolfo Morh, integrante do coletivo Juntos! vinculado ao PSOL, em entrevista a Rádio Guaíba se dizendo nosso representante, sem deixar claro a postura apartidária do mesmo e sua imposição de estabelecer uma comissão para conversar com o poder o público, caracteriza o oportunismo politiqueiro desta agremiação partidária, justo em ano eleitoral, bem como uma lógica de organização que não contempla os indivíduos e coletivos autônomos que estão constituindo, antes mesmo do aumento entrar em vigor, o processo de luta dos transportes este ano.

Durante todo este processo foram realizados seis atos nas ruas, alertando e mobilizando a população para o descaso e mercantilização do transporte público, todos sendo extremamente ignorados pelo Poder Municipal que não emite nenhuma declaração a respeito das manifestações. Esta postura de descaso provoca indignação de muitos, que com toda a razão, tentam chamar atenção com ações mais radicais objetivando acabar com uma realidade que proporciona um lucro exorbitante aos empresários enquanto restringe o direito de ir e vir de pessoas que não vivem nas regiões centrais da cidade, consequentemente mais humildes e mais esquecidas.

Cabe deixar claro também que em nenhum momento foi feito contato com Brigada Militar para garantir nossa manifestação, acreditamos que temos o direito legítimo de ir contra as estruturas e resoluções públicas impopulares, questioná-las e lutar para que não sejam impostas. Desde nosso quarto ato a tropa da Brigada Militar está trancando o trânsito da cidade mais do que nossas manifestações, que reúnem cerca de 300 pessoas, atingiria. Sem essa interferência as vias que não estão tão próximas a passeata não estariam comprometidas e conseguiríamos, sobretudo, dialogar melhor com a população. A estratégia da polícia é um claro exercício de isolar nossas manifestações, provocando o afastamento das pessoas do ato público e deixando-as sem o direito de serem informadas pelos manifestantes ficando a mercê dos relatos de uma mídia não se preocupa com as coerências dos fatos.

No ato da quinta-feira dia 16/02 o Zero Hora publicou uma nota dizendo que a manifestação era contra o aumento da passagem que foi para 2,88, caso alguém da redação tivesse uma atenção especial ou simplesmente usasse o transporte coletivo para se locomover, saberia que o reajuste foi para 2,85, mas essa realidade é bastante alheia a este grupo de pessoas que “informam” a sociedade.

De acordo com os princípios que norteiam o bloco: independência política, postura combativa e classista, convidamos a toda a população a construir e participar das manifestações, assembleias e demais atividades que estaremos realizando para a conquista de um transporte digno.

PELA REVOGAÇÃO IMEDIATA DA TARIFA!
POR UM TRANSPORTE PUBLICO E POPULAR!
TARIFA ZERO PARA TODOS(AS)!

CARTA ABERTA A SOCIEDADE

Nós trabalhadores, estudantes, desempregados, artistas e pessoas em situação de rua organizados no Bloco de Luta Por Um Transporte Público, nos manifestamos contrários ao aumento das passagens.

Sempre em fevereiro, os empresários do transporte e o poder público aproveitam a temporada de férias e a euforia do carnaval, uma época que a população não está tão focada nas questões urbanas, para aumentar as passagens e evitar esta discussão com os cidadãos.

Cansados desta situação realizamos várias mobilizações, inciando antes mesmo do aumento entrar em vigor, por identificarmos injustiça, segregação social e exploração do valor das passagens, este baseado em planilhas das quais nós não temos acesso. Ocupamos as ruas para denunciar á cidade de Porto de Alegre mais um absurdo e mais um roubo, fugindo da forma tradicional de organização partidária, propondo um movimento autônomo, coletivo, sem representações e sem liderança, praticando a democracia direta através de assembleias livres e atos de rua, recebendo uma expressiva simpatia e apoio das pessoas que circulam e moram no centro da cidade, mas que infelizmente vem sendo destacado de forma deturpada e irresponsável pela mídia convencional seja nos caracterizando apenas de estudantes ou de vândalos.

Desde o início do nosso processo até agora foram realizados seis atos de rua e diversas assembleias, com o objetivo de discutir questões estratégicas e pensar um transporte verdadeiramente público e popular, onde o direito de ir e vir, assim como o direito a educação e a saúde assegurados pela constituição, não sejam instrumento de lucro e enriquecimento de um setor minúsculo da sociedade.

Porém a resposta que temos do Poder Municipal e dos empresários é o silêncio, o que provoca nossa indignação. Nenhuma posição, depoimento ou resposta a sociedade foi dada, nenhuma assembleia pública foi puxada e nem sequer foi aberta a transparência de custos, afim de explicar ou justificar a população o reajuste das tarifas. Esta postura é a prova de uma aliança do mal, composta pela Prefeitura, Empresários, Eptc, Poder Legislativo e Judiciário que obrigam o trabalhador, desempregado e estudante a pagar a terceira passagem de ônibus mais cara do país, inclusive acima de capitais maiores e mais ricas como Belo Horizonte (2,45), Brasília (1,50) e Rio de Janeiro (2,75) com o único objetivo de enriquecer empresários e financiar campanhas politicas.

Enquanto formos ignorados vamos continuar nas ruas, lutando por uma gestão popular do transporte, menos ambiciosa e mais justa, chamando todas e todos para participar e apoiar esta luta que é de todas as pessoas da cidade.

Be the first to start a conversation

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: