Ministério Público recebeu manifestantes do movimento pela liberdade para jovem negro condenado após protestos de 2013

Posted on 02/08/2016

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(por: Imprensa Sindscope)

O ato-vigília pela liberdade de Rafael Braga Vieira, realizado na quarta-feira (20), em frente ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, no Centro do Rio, atingiu pelo menos um de seus objetivos: chamou a atenção das autoridades daquela instituição, que receberam representantes do movimento para uma audiência.

O movimento ainda não divulgou detalhes da conversa, mas se sabe que uma das intenções é cobrar do Ministério Público uma atuação que reproduza o preconceito que faz com que o jovem negro, pobre e morador de favela permaneça preso e sob o risco de nova condenação mesmo sem evidências de que cometeu crime.

Manifestação

O ato-vigília pela Liberdade de Rafael Braga fez parte do calendário do Evento Julho Negro, que acontece ao longo da semana e reúne movimentos como o americano Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência, Movimento Mães de Maio, Fórum de Juventudes do Rio de Janeiro, Fórum Social de Manguinhos e Coletivo Papo Reto.

O Sindscope apoia e ajuda a organizar a campanha, por meio do Grupo de Trabalho de Negras e Negros. O coletivo ‘Ocupa Alemão’, que participa do GT do sindicato, é um dos pilares da luta em defesa de Rafael Braga.

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O jovem foi julgado e condenado após ter sido detido no dia 20 de junho de 2013, durante o maior ato no Rio da série de protestos que levaram milhões às ruas do país naquele ano. Carregava desinfetante Pinho Sol e foi acusado de portar material explosivo. Perícia técnica constatou que o conteúdo do recipiente não possuía capacidade de combustão relevante, mas mesmo assim foi condenado.

Estava em regime aberto, usando tornozeleira, quando foi abordado por policiais na Vila Cruzeiro e acusado de participação no tráfico de drogas. Contra ele, há apenas a acusação dos policiais, marcada por depoimentos contraditórios no julgamento. Uma testemunha disse que ele não portava nenhum objeto quando foi preso e que foi vítima de agressões dos policiais.

Nota triste

A campanha de mobilização pela liberdade de Rafael Braga registrou uma perda ao final da manifestação. A professora Elaine Freitas, uma das militantes do movimento negro e da luta pela liberdade de Rafael, passou mal e morreu a caminho do hospital. Ainda não se sabia, até a conclusão deste texto, a causa da morte. Nas redes sociais, amigos e companheiros de militância lamentaram o falecimento e prestaram homenagens para Elaine.

(Texto originalmente publicado no sítio eletrônico do Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II – Sindiscope – http://sindscope.org.br)

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