OP presente em manifestação no Centro do Rio 06/07/16

Posted on 17/07/2016

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Quarta-feira 06 de julho de 2016 foi o dia estadual de lutas. Propôs-se, inclusive, que as categorias que não estivessem em greve aprovassem uma paralisação de 24h nessa data. A Organização Popular (OP) se incorporou às manifestações, principalmente à passeata com concentração na Candelária (Centro da cidade do Rio) na parte da tarde.

Motivos não faltam para o povo se mobilizar. A realização dos chamados grandes eventos no Brasil escancarou toda a subserviência dos governos aos interesses de banqueiros e grandes empresários. A “crise financeira”, desculpa para a aplicação de planos de retirada de direitos dos trabalhadores, não atinge os gastos bilionários na realização das Olimpíadas. O último grande aporte no Estado do Rio feito pelo governo federal, no valor de 2,9 bilhões de reais, será utilizado unicamente na segurança dos jogos. Como é possível o Executivo estadual dizer que não há recursos sequer para pagar os salários dos trabalhadores do serviço público?

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Todo o setor da educação estadual segue em greve sem ter suas principais reivindicações atendidas. O parcelamento de salários da esmagadora maioria dos servidores ativos, aposentados e pensionistas virou rotina e o governador Francisco Dornelles só favorece os ricos, gastando com eventos como as Olimpíadas. Vale lembrar que 65 mil pessoas foram removidas de suas casas na cidade do Rio como consequência específica dos Jogos Olímpicos, na verdade jogos financeiros que servem perfeitamente aos especuladores imobiliários de firmas como Carvalho Hosken e outras. O sucateamento da educação e da saúde aumenta enquanto a cidade do Rio de Janeiro é maquiada para receber turistas e atletas.

O Estado do Rio de Janeiro encontra-se em estado de calamidade depois que isenções bilionárias foram concedidas a grandes empresários pelos governos Cabral/Pezão. Tais isenções beneficiaram joalheria, grande rede de cabeleireiro e outras riquíssimas megaempresas. Até a multinacional Ambev, campeã brasileira de assédio moral contra suas trabalhadoras e trabalhadores, também foi contemplada. A cervejaria Itaipava recebeu sua fatia de isenção fiscal, quando deveria é ser punida pela utilização de milho transgênico na cerveja, cereal que nem deveria entrar na composição da bebida, ainda mais se considerando o nível de agrotóxico usado no cultivo.

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Outro absurdo do governo do estado do Rio foi a criminosa negociação, em bolsa de valores nos EUA, do Rioprevidência (Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro). O atual governador também aprofunda o ataque às finanças do Estado querendo se desfazer de bens públicos e anunciando a privatização da CEDAE (Companhia Estadual de Águas de Esgoto).

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Além de tudo isso, virou rotina na cidade do Rio de Janeiro a inauguração apressada de obras. Depois que a ciclovia da Avenida Niemeyer ruiu vitimando duas pessoas, o VLT saiu dos trilhos no seu primeiro dia de operação e o novo elevado ligando o bairro de São Conrado à Barra da Tijuca apresenta buracos em suas pistas. O próprio Tribunal de Contas do Estado já alertou que será uma temeridade inaugurar a Linha 4 do metrô sem que testes sejam feitos antecipadamente.

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As remoções de moradias populares, a autoritária política das UPPs (militarizando as favelas e oprimindo ainda mais o morador) e o sucateamento dos serviços públicos formam parte do verdadeiro legado olímpico. O comportamento do prefeito Eduardo Paes é o de um gerente das grandes empresas. Para a população não sobra nada. Nem mesmo durante os jogos as pessoas poderão ter o seu direito de ir e vir assegurado. Tudo para que a mídia mostre esse evento como uma conquista de todos os brasileiros, quando sabemos que os seus reais interesses são escusos.

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O ajuste fiscal gestado no governo Dilma/PT e ampliado com Temer/PMDB, contando com a simpatia de todos os governadores de Estado, implicará numa redução brutal do padrão de vida dos trabalhadores. As reformas da previdência e trabalhista, a PEC 241 e o PLP 257, dentre outras medidas, precisam ser barradas por uma luta ampliada reunindo a estudantada e a classe trabalhadora da cidade e do campo em todo o território nacional.

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Os governos, a mídia e os empresários atuam para que os Jogos Olímpicos sejam um sucesso para seus planos que se encontram diametralmente opostos aos interesses do povo: os governos querem se perpetuar passando a ideia de que foram bons gestores; a mídia que noticiar que está tudo bem no país e os empresários querem encher mais ainda os seus bolsos.

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Por essas e outras estivemos nas ruas. Nos concentramos a partir das 15h em frente à Igreja da Candelária, já entregando panfletos, agitando bandeiras e trocando ideias. Às 16h, seguimos em passeata por toda a extensão da Av. Presidente Vargas. Muitas pessoas levavam faixas e cartazes feitos de cartolina, bem como apitos de plástico e chocalhos. Carros de som também ajudavam a divulgar as reivindicações dos manifestantes. Estavam presentes trabalhadoras(es) da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), do Colégio Pedro II, da Petrobrás, demitidos do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, do município de Itaboraí), estudantes e categorias da Saúde Pública. A classe trabalhadora do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro também se fez presente, apesar de a direção pelega de seu sindicato (o Sind-justiça) ter difamado e boicotado o protesto.

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Seguimos em passeata até o prédio da Prefeitura, onde a manifestação se encerrou já depois das 19h.

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Organização Popular: junto ao povo na rua!

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