Serviçais voluntários da publicidade

Posted on 26/05/2016

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(por: W.B.*)
A publicidade é mestra em moldar nossos comportamentos. E não é à toa: tal habilidade é muito útil aos ricaços do grande comércio.
Na década de 80 no Brasil, tinha uma propaganda de caneta que mostrava uma pessoa com dúvida de Português, perguntando sobre alguma palavra: “Como é que se escreve?”. Mais que depressa, outro personagem do comercial respondia: “Se escreve com Bic”. Pronto, isso gerou uma febre na sociedade brasileira. Bastava alguém perguntar pra outro como se escrevia alguma coisa para obter como resposta um jocoso “se escreve com Bic”.
Também houve um comercial de molho de tomate, em que alguém, incerto sobre a data, indagava: “Que dia é hoje?”. E o outro respondia: “Hoje é dia de Pomarola”. Logo, um bando de otários nas ruas, escolas e no trabalho, começou a responder também “hoje é dia de Pomarola”, sempre que alguém perguntava a data.
consumo
Num comercial de eletrodomésticos um personagem falava que tal aparelho “não é assim uma Brastemp”. Prontamente, um monte de pessoas passou a usar tal expressão para caracterizar tudo o que não era de excelente qualidade.
Todo esse público repetidor de bordões publicitários não se dá conta de que está trabalhando de graça para os capitalistas, ao reproduzir slogans comerciais nas suas conversas cotidianas. Fazem papel de bobo, divulgando propaganda sem serem remunerados.
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De maneira semelhante agem aqueles que fazem questão de ostentar etiquetas de marcas “chiques” em suas roupas. Divulgam a marca e – ao invés de receber – ainda pagam por isso. E muitas vezes pagam bem caro, pois o valor da marca para grande parte das pessoas está exatamente em demonstrar que se tem dinheiro bastante para comprar seus produtos (compra-se justamente porque é caro, e para mostrar pros outros que se tem grana).
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A publicidade robotiza os indivíduos, tornando-os serviçais do capital. Promove consumismo, marcas, slogans, futilidades, etiquetas, rótulos, produtos, símbolos de status… A lógica do mercado acaba invadindo e envenenando nossas relações cotidianas, bate-papos e formas de expressão. Mas não somos obrigados a aderir a isso.
(W.B. é militante da Organização Popular – OP.)
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