Greve e ocupações: a ação direta, coletiva e horizontalizada na luta pela Escola Pública de Qualidade

Posted on 10/05/2016

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(por: Júlio Dória*)

Desde a deflagração da greve dos professores da rede estadual de educação no dia 02 de março e do primeiro colégio estadual – Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes, na Ilha do Governador (na cidade do Rio) – ocupado pelos alunos em 21 de março, muito se avançou na luta e nos ganhos políticos e sociais vinculados ao sistema de educação do Estado do Rio de Janeiro.

É uma das greves mais extensas que já se configura e mobiliza em média 70% dos professores de todo o Estado. As ações e articulações em cada região, tanto de professores como de alunos estão centradas em dois objetivos básicos: 1º conseguir ganhos reais para a melhoria da educação na rede pública de ensino e 2º mobilizar a opinião pública no sentido de esclarecer os motivos da greve e das ocupações denunciando o descaso e abandono do Estado com esse serviço básico, que é garantido por lei a todo cidadão. Este segundo ponto é de máxima importância tendo em vista que a grande mídia não o apresenta de forma imparcial e a partir do ponto de vista de quem reivindica, mostrando apenas as “desculpas” e posicionamentos do governo.

Nesse sentido, os professores das diversas regiões do estado têm organizado diversas ações para esclarecer a sociedade sobre a realidade deste sistema e alertar que o mesmo é um problema social e não apenas de professores e alunos, já que a educação pública é de interesse – ou ao menos deveria ser – de toda a sociedade. Na região de Jacarepaguá, Barra e Recreio foram realizadas várias ações organizadas pelos professores lotados nos colégios destes bairros da cidade do Rio, dentre elas, um ato público seguido de aula pública em frente ao Colégio Estadual Vicente Januzzi, na Barra da Tijuca.

O ato teve a participação de alunos e professores do próprio colégio e também de professores de outras unidades de ensino. Além desses, o Sepe (Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação), a OP, um representante e morador da comunidade da Vila Autódromo e um representante do sindicato dos professores do Colégio Pedro II também estiveram presentes e participaram da construção da aula pública. A repercussão e o impacto na comunidade escolar foi bastante positivo e possibilitou o questionamentos e reflexões sobre os problemas do sistema de educação como um todo e os problemas específicos do colégio, como refeição insuficiente para todos os estudantes, falta de climatização em todas as salas tornando o espaço de aprendizado desconfortável e impróprio, recorrentes falta de água e etc.

Perspectiva similar se apresenta no sentido das ocupações de colégios estaduais pelos alunos. Essas ações sinalizam a incapacidade e inaptidão da gestão das escolas por parte da SEEDUC (Secretaria de Estado de Educação) e de alguns diretores de Colégio. Os alunos têm apresentado uma série de problemas nas unidades escolares que vão desde materiais estocados e inutilizados em salas trancadas, como questões de saúde pública com a existência de piscinas abandonas sem manutenção e servindo como criadouros de mosquitos – inclusive temos relatos de alunos sobre o surto de Zika no Colégio Estadual Luís Carlos da Vila, no Manguinhos.

Enfim, as ações coletivas dos professores e dos alunos caracterizam o êxito de suas lutas que convergem sempre para uma melhora efetiva da educação pública no estado. Por outro lado, principalmente as ocupações, têm demonstrado a capacidade de autogestão popular como uma saída para a inépcia e falta de vontade do estado em cumprir a sua obrigação constitucional que é garantir a educação para todos os seus cidadãos.

*Júlio Dória é militante da OP.

 

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