Bloco da Ceguinha ganha mais adesão

Posted on 07/03/2014

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O Bloco da Ceguinha é uma expressão do Carnaval de rua na cidade do Rio de Janeiro promovida por trabalhadoras e trabalhadores do judiciário estadual. A atual direção do sindicato, desde sua posse, não patrocina mais o evento, ao que tudo indica, pelo fato de o teor crítico do bloco não se coadunar com a política “conciliatória” dos atuais diretores do Sindjustiça. Sendo assim, 2014 é o segundo ano em que o bloco é bancado e gerido de maneira completamente independente por entusiastas do evento.

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Em 2013, o enredo se chamava “Eu de tanga, eles de toga”, uma criação coletiva assinada pela ala de compositores do bloco. Seus versos diziam:

“Alzheimer é mal dá esquecimento
Mas sou teimoso e vou lembrar todo momento
Com a Ceguinha eu boto pra quebrar
O caldeirão da bruxa eu vou chutar

Tentaram matar a Ceguinha
Não vou deixar
Se o Sind é quieto
O meu lado irrequieto incomoda o marajá
Se eles tem auxilio-glutão
A dentista tem pensão
Transparência e blá-blá-blá
Darth Vader pega a asa-Delta
Privatiza com Cabral
Pra Cyrella fez a festa
Tem até cartório pra amante
Tercerizam pra Locanty
Caixa dois de governante

Eu de tanga, eles de toga
Eu despacho, eles na ioga
Só me chamam pra ralar
Tomo esporro, eles no spa”

Tivemos referências à falsa transparência do judiciário, ao descabido auxílio-refeição para juízes, às empresas Delta, Locanty e Cyrella que se enriquecem às custas de dinheiro público, ao assédio moral contra servidores… Todas essas críticas, que incluíram a denúncia do conluio entre o governador Sérgio Cabral e vilões todo-poderosos do Judiciário (“Darth Vader”) não passaram despercebidas. Tanto é que agora em 2014 notamos uma certa vigilância da Corregedoria Geral sobre o bloco: nada capaz de intimidar nossa animação, entretanto.

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No presente ano, o enredo teve o instigante nome “O óbulo da Dona Justa virou o ósculo da Dona Bruxa”. Tal título pode significar a perda da ilusão no Judiciário: as dádivas da Dona Justiça (simbolizada pela deusa Têmis) se transformando em bruxarias contra o povo. Mas a interpretação é livre, cada um que faça a sua.

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Nesta segunda edição independente do bloco, pudemos observar um pequeno aumento no número de participantes. O mais evidente, no entanto, foi o crescimento do entusiasmo dos foliões: se em 2013 já havia uma boa animação, em 2014 ela foi ainda maior – uma banda de qualidade, confete, serpentina, máscaras (que se dane a proibição governamental!), samba no pé e protestos bem humorados ao microfone.

Já ficou definido que em 2015 o bloco ocorrerá novamente na quarta-feira que antecede o Carnaval em frente ao fórum central do Tribunal de Justiça. Desde já fica todo mundo convidado.

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