Ônibus em Niterói: lucro aos empresários, sufoco para o povo

Posted on 16/02/2014

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(por: W. Bastos)

Eram 10 e meia da manhã da quinta-feira 13 de fevereiro deste 2014. No município de Niterói (RJ), bem na Av. Roberto Silveira ali pela altura da Rua Professor Miguel Couto, eu esperava um ônibus rumo ao centro da cidade. Veio o de número 31, da linha Ponta D’Areia – Beltrão, pertencente à autoviação Ingá. Subi.

Precisamos esperar um tempão para que fosse ajustada a maquinaria que daria acesso a um cadeirante que tentava entrar no coletivo. Com muito custo e demora, o pequeno elevador do ônibus ergueu a cadeira de rodas. O calor estava insuportável.

O cadeirante e a senhora que o acompanhava, sempre muito simpáticos, pareciam bastante aliviados pelo equipamento do ônibus ter funcionado. Estranhei, pois, em minha inocência, achava que usualmente esse equipamento estivesse apto a operar. Ledo engano meu. Quando puxei papo com a senhora, ela me declarou que, da última vez, teve que tentar quatro ônibus até acharem um que conseguisse içar a cadeira de rodas.

Bem, aquele busão em que eu estava, felizmente, tinha conseguido erguer o cadeirante. Mas a alegria durou pouco. Depois de o casal conseguir acesso ao coletivo, a porta, através da qual havia passado a cadeira, simplesmente travou. Todos tivemos que descer e esperar outro veículo da linha.

Quando chegou – milagre! – tinha até ar condicionado. Porém o equipamento para deficientes físicos não funcionou apesar de grandes esforços dos funcionários da viação. Partimos. Eu me condoí do casal idoso que ficou na calçada, embaixo de um sol de rachar, esperando a chegada dum ônibus que possa ser usado por cadeirantes.

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Sentado a meu lado, um senhor observou que é quase impossível pegar ônibus da Viação Ingá com refrigeração de ar. Concordei com ele.

A partir de 15 de fevereiro, a passagem de ônibus ficou ainda mais cara em Niterói. No caso da cidade do Rio de Janeiro, apesar de a tarifa também ter subido para R$3,00, técnicos de seu tribunal de contas fizeram relatório atestando que a passagem não deveria aumentar, mas sim diminuir de R$2,75 para R$2,50. Em Niterói, seria justo esse aumento, considerando-se que as distâncias percorridas pelos coletivos são menores?

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O prefeito Rodrigo Neves assinou, na sexta-feira 7 de fevereiro, um decreto autorizando o reajuste, mas cobrando a ampliação do uso de ar-condicionado nos ônibus para 80% da frota até 2016.

Se hoje a prefeitura não fiscaliza o funcionamento das rampas para cadeirantes nos ônibus, será se irá fiscalizar o ar condicionado? Que valor tem a promessa de um prefeito que propõem a melhoria de um serviço para daqui a dois anos?

A história tem demonstrado que as melhorias sociais são conquistadas quando o povo dá valor à mobilização e ao apoio mútuo, e não a vãs promessas dos politiqueiros.

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Fontes:

 http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2014-02-08/onibus-de-niteroi-ja-tem-nova-tarifa.html;

http://www.sidneyrezende.com/noticia/223780+tribunal+de+contas+sugeriu+passagem+de+onibus+por+r$+250;

(W. Bastos é militante da OP)

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