Enquanto a gente bebe uma cervejinha…

Posted on 14/02/2014

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(por: W. Bastos)

Quando você está bebendo um copo de cerveja neste calor de rachar aqui na cidade do Rio, por acaso pensa nas condições de trabalho dos caras que produziram sua Brahma? Você prefere Skol? Antarctica? Dá na mesma.

Admito que neste calorzão é difícil pensar em qualquer coisa mesmo. Mas raciocinar sempre vale a pena e, no fim das contas, é bom para nós próprios.

Em 1999 Cervejaria Brahma e Companhia Antarctica anunciaram a decisão de se juntarem. Dessa fusão surgiu a Ambev (Companhia de Bebidas das Américas), que também adquiriu licença para fabricar a conhecida Skol (marca pertencente à dinamarquesa Carlsberg).

Lembro que muita gente ficou orgulhosa de o Brasil ter uma empresa tão grande. Naquela época as duas companhias tinham 16 mil empregados. Hoje ainda há quem estufe o peito, contente, ao saber as dimensões gigantescas da “nossa” empresa, que atualmente conta com uns 40 mil funcionários (aproximadamente 26 mil só na América portuguesa). Sua cadeia produtiva envolve, de ponta a ponta, mais ou menos 6 milhões de pessoas. Derrama-se cerveja brasileira pelo mundo todo – EUA, Europa, China, Rússia…

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As pessoas, geralmente, se sentem engrandecidas com negócios que não as favorecem em nada. Muitos até hoje festejam a vitória do exército brasileiro na Guerra do Paraguai (1864-1870), apesar de só o governo ter lucrado com aquela carnificina. Outros comemoram a vitória de algum time grande de futebol, quando só quem lucra mesmo com isso são cartolas e jogadores milionários, dispostos a trocar de clube sempre que isso lhes seja mais lucrativo. Igualmente, há quem festeje a grandiosidade da multinacional Ambev, sem pensar que ela só gera lucro para a elite e opressão aos trabalhadores.

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Funcionários da Ambev que não atingiram metas de vendas foram punidos e obrigados a passar por situações humilhantes, como serem impedidos de se sentarem durante reuniões. Um vendedor relatou, à médica pesquisadora de assédio moral Margarida Barreto, que um supervisor deu a ele um bode, o qual amarrou em sua mesa no trabalho, para criar constrangimento ao empregado. Funcionários foram obrigados a dançar na frente de colegas e usar camisas com ofensas escritas. Segundo a revista Caros Amigos nº 179 (fevereiro/2012), a Ambev chega a ridicularizar pessoas publicamente, obrigando-as a se vestirem de palhaço. A empresa foi ao cúmulo de obrigar funcionários – que não atingiam as desumanas metas de produtividade – a passear segurando um pênis de borracha: tudo isso feito na frente duma plateia, que ria, espezinhando os trabalhadores.

A Ambev faz campanhas publicitárias contratando artistas de bons ritmos populares, como o samba, pra passar uma boa imagem pro povo. Põe esses artistas (vendidos, infelizmente) para estimular o orgulho de ser brasileiro e “brahmeiro”…

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Gente, a verdade é que não existem “brasileiros” e “estrangeiros”, assim como não existem “brahmeiros” e “sóbrios”. O que existe é: de um lado os ricaços exploradores (não importa o país originário deles), e do outro o povo explorado (independente de seus gostos ou nacionalidades).

Quando estiver num botequim, relaxe, mas não vá bater palmas para essas empresas, cara, pense em você e em nossos irmãos trabalhadores, valeu?

Fontes:

– Artigo “Uma Jornada de Trabalho Perigosa”, de Tatiana Merlino, publicado na Revista Caros Amigos nº 179 (fev/2012) páginas 10 a 13;

http://www.ambev.com.br/pt-br/a-ambev/institucional/historico;

http://csunidadeclassista.blogspot.com.br/2012/11/violacoes-trabalhistas-ambev-nao.html#.Uv5Lq_ldXKw.

(W. Bastos é militante da OP)

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