Ação direta ou eleição?

Posted on 07/02/2014

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(por W. Bastos)

Eleições não geram melhoria social nenhuma. O que faz as coisas melhorarem pro nosso lado é nossa ação direta, independente da politicagem partidária. Tem muita gente que diz ser importante votar nos políticos “esquerdistas” para evitar a vitória da direita, pois esta seria mais nociva. Mas o que podemos ver é que os políticos com cara de povão (tingidos de cores revolucionárias) conseguem implementar com facilidade políticas nefastas que a direita não consegue pôr em prática, justamente por causa da oposição dos movimentos sociais.

ImagemReforma da previdência, reforma trabalhista etc. são nomes bonitinhos dados pela elite para modificações péssimas na legislação: diminuição de direitos do trabalhador, aumento na idade pra se aposentar e outras. A direita (PSDB, DEMo, PR e outros lixos) não conseguiam aprovar essas sacanagens com as classes populares, porque sindicatos e movimentos comunitários identificavam facilmente que tudo isso só favorece os ricos. Daí surgiam protestos, greves, manifestações contra essas opressões.

Hoje o povo brasileiro, em geral, aceita com facilidade políticas que são contra ele. Muitos pensam: “ora, se um político ex-operário está a favor, não deve ser nada tão ruim assim”. Assim, o PT (Partido “do Trabalhador”) no governo só favorece mesmo a falta de iniciativa, a inação e a submissão do povo em relação a políticas elitistas.

O que a política do PT, desde 2003, trouxe concretamente de melhoria no tocante à reforma agrária no Brasil, por exemplo? Em 2011 começou o terceiro mandato desse partido na presidência da república e nada melhorou nesse campo. O Jornal Sem Terra nº 316 (novembro-dezembro/2011) denuncia na página 10 que a presidenta Dilma Rousseff encerrou seus 11 meses de governo sem realizar nenhuma desapropriação de terra no Brasil. Ela recebeu 90 processos de desapropriação que só dependiam de sua assinatura, mas engavetou todos. É nítido: os sem-terra só tomam fumo, no governo Dilma. Será se com Lula foi diferente? Bem, Nilton Viana, editor-chefe do Jornal Brasil de Fato e um dos fundadores da CUT, afirmou em entrevista: Luís Inácio da Silva assentou bem menos sem-terra que o direitista Fernando Henrique Cardoso (vide revista Caros Amigos nº 179, fevereiro/2012).

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Eleger Lula, FHC ou outro cara não muda nada. O que faz coisas boas acontecerem na nossa sociedade não é a eleição de políticos “menos ruins”, mas sim a gente pressionar o governo, seja ele qual for. E essa pressão se dá através de protestos, boicotes, greves e outros meios criados por nós, trabalhadores. Eleições não, pois elas foram criadas pela burguesia para fazer a gente ser cúmplice de nossa própria opressão.

(W. Bastos é militante da OP.)

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