O último Transversus de 2013

Posted on 24/12/2013

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É difícil entender como tem gente que gasta dinheiro comprando (e tempo lendo) jornais diários e revistas semanais da imprensa capitalista, cheios de mentiras, manipulações, vulgaridade, matérias fúteis e ideias perversas. Basta pensar: que jornal de grande circulação dá pra ler inteirinho com prazer hoje? Pois é, é difícil lembrar de algum. Mas não há razão para consumir tais lixos, pois existem publicações interessantes e instrutivas por aí. Um exemplo? O jornal carioca Transversus.

O periódico tem formato tabloide, 12 páginas, além de um encarte com temas políticos e sociais chamado Correspondência Socialista (contando mais quatro páginas). Além das salutares opiniões críticas e análises históricas e econômicas (presentes principalmente no encarte), encontram-se, na publicação, matérias sobre os mais variados tópicos. Literatura, samba, futebol, roquenrol, Carnaval, basquete, cinema, boxe, teatro, chorinho – Transversus encara qualquer assunto.

Colaboram na edição pessoas envolvidas com o Centro Cultural Otávio Brandão, Movimento de Oposição Serventuária, Centro de Estudos Socialistas dos Trabalhadores do Judiciário (CESTRAJU), Organização Popular (OP), e outras não filiadas a grupos específicos, mas entusiasmadas com a disseminação da cultura e do senso crítico. Em seu mais recente número – o último de 2013 – o futebol é o tema mais presente, porém há muito mais que isso.

Na primeira página, uma matéria de Sandoval Brandão trata da chamada “polêmica das biografias”: a controvérsia jurídica que contrapõe liberdade de expressão a direito à intimidade. O artigo ataca corajosamente o assunto, afirmando que o que está ocorrendo hoje no Brasil não é uma tentativa de equacionar dois direitos fundamentais do indivíduo, mas sim uma briga de “cachorros grandes”: dois ramos da indústria cultural e do entretenimento de massas – biografias popularescas X medalhões da música brasileira.

Depois há artigos sobre futebolistas recentemente falecidos: Nílton de Sordi (lateral-direito da Copa de 1958) Liminha (João Crevelim, que jogou pelo Flamengo de 1968 a 1975) e o artilheiro Paulo de Almeida. Há textos sobre os compositores Delcio Carvalho, Arnaldo Antunes, Paulinho Tapajós, Waldir Silva e Victor Jara. Abordam-se também os poetas Vinícius de Moraes e Cruz e Souza, além do escritor Edgard Allan Poe. Temos ainda uma interessante resenha sobre o filme “Bróder”, que enfoca a vida na periferia paulistana.

O jornalista André Luiz David nos brinda, neste número, com uma desconcertante matéria sobre o radicalíssimo pintor e artista performático russo Piotr Pavlenski, que têm feito ações hipercorajosas contra o governo despótico de Vladmir Putin. Mas o teor crítico da publicação não para por aí. Há denúncias de prisão política, no Qatar (de Mohamed al-Ajmi – o poeta Iben al-Dihib) e no Brasil – de Jair Seixas, Eduardo Fauzi e Rafael Braga Nunes, encarcerados por terem protestado em favor dos professores em 15 de outubro, quando estes profissionais da educação ainda estavam em greve no Rio de Janeiro. São denunciadas também opressões aos trabalhadores da FAETEC (Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro).

Além disso, abre-se espaço para duas análises bem discordantes sobre a greve dos professores no Rio. Não há surpresa nisso, os textos políticos do jornal transitam pelo Marxismo, Trotskismo, Luxemburguismo, Anarquismo… Trata-se dum verdadeiro jornal de debates abertos a quem se dispuser a enviar um correio eletrônico para: transversus.cs@gmail.com.Imagem

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