A luta pela educação

Posted on 14/10/2013

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A luta pela educação

Os últimos dias e a greve dos profissionais da educação foram marcantes para todos aqueles/as que lutam por uma educação pública de qualidade. O ato do dia 30 já tinha sido marcado pelas provocações da PM e por um sentimento de muita união entre todos que foram às ruas. Nós da OP apesar de não termos uma atuação formalizada na categoria dos professores estaduais e municipais, fomos ao ato prestar solidariedade, pois há muitos compas da OP que atuam em trabalhos de educação popular em movimentos populares (frente comunitária), ou são estudantes e alunos (frente estudantil) ou tem algum tipo de relação direta com a educação (frente sindical – Colégio Pedro II por exemplo). A questão da educação portanto, mesmo que não seja um fim para nós, passa e atravessa diversos campos de luta que estamos inseridos. No dia 30 os profissionais deram uma lição a intransigência do governo do estado e do município, reunindo milhares de pessoas nas ruas.

Os vereadores, acuados pela revolta popular, tiveram de sair protegidos pelos seus fiéis escudeiros policiais. O ato do dia 30 ficou marcado pela memória violenta da desocupação realizada pela polícia a mando do governo e da prefeitura, com muitos feridos do nosso lado.

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O ato transcorria bem até que a PM provocou diversas vezes a manifestação dos professores. Primeiro tentou estacionar um camburão, mas sob os gritos de “recua polícia recua, o poder popular está na rua!”, a polícia recuou . A provocação começou cedo e prosseguiu durante todo o ato. O resultado foi muitas bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha atiradas covardemente de cima dos prédios. A resposta popular foi a resistência contra as agressões.

A batalha do centro

No dia 01 os professores convocaram uma grande manifestação. O projeto da rede municipal ia ser votado na Câmara. A OP (respeitando o protagonismo dos professores) se reuniu no Largo do Machado junto aos trabalhadores da educação da CEFET e professores estaduais que caminharam até a Cinelândia para se juntar aos professores municipais. Um policial infiltrado tentou tumultuar a manifestação, mas foi expulso. Ao chegar na Cinelândia vimos a verdadeira cara da democracia: a Câmara amanheceu cercada de grades e os vereadores aproveitavam para votar o projeto a “toque de caixa”. Em diversas ruas ninguém podia passar (com exceção de policiais e políticos). Os manifestantes fizeram um grande ato e tomaram as ruas da Cinelândia, até que a polícia militar covardemente atacou com bombas de gás todos os presentes. O dia foi intenso. Enquanto a polícia reprimia, os manifestantes não se cansavam e se rearticulavam na luta. Assim, a “batalha do centro” se prolongou até a noite com ânimo dos que permaneceram.

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A repressão tinha chegado a uma escala absurda e os trabalhadores da educação com amplo apoio da população marcaram um ato para o dia 07 que ficaria marcado em nossa memória. A população nos dias seguintes apoiou a luta justa de professores e trabalhadores da educação. Isso seria fundamental para acumular forças para o dia 07.

A resposta nas ruas num grande ato da educação: o dia 07 de outubro

No dia 07 o ato reuniu milhares de pessoas. No caso da OP já tínhamos nos articulado nos movimentos populares e sociais que construímos desde algum tempo. O diálogo entre sindicato e movimentos populares é fundamental para avançar nessa luta e o Fórum Popular de Apoio Mútuo cumpria com grande esforço esse objetivo. O fórum marcou o ponto de concentração das favelas na ALERJ. Além de reforçar o diálogo com os professores acampados, a iniciativa tinha como objetivo marcar o apoio das favelas e movimentos populares que atuam em favelas aos trabalhadores da educação. Juntaram-se ao bloco o Favela não se Cala, o Movimento de Organização de Base, militantes da Organização Popular, da Federação Anarquista do Rio de Janeiro, do Movimento Passe Livre-RJ, moradores da Maré, do Morro dos Macacos, militantes de diversos grupos e também da Frente Internacionalista dos Sem-Teto. O bloco seguiu quase no fim da manifestação. A frente estudantil da OP divulgou um panfleto em solidariedade aos professores e trabalhadores da educação e o ato seguiu.

No caminho até o ponto de concentração, pichações por toda a Rio Branco questionavam a Copa do Mundo, a repressão e reforçavam a luta da educação. Ao chegar na Cinelândia o ato encheu-se de força e muitos manifestantes foram em direção a Câmara. A PM apesar de mais “cautelosa” prosseguiu no seu fiel trabalho de repressão. A resistência e a repressão se instalaram no centro do rio. O Clube Militar, covil de torturadores e repressores da época da ditadura militar, foi queimado e as barricadas foram instaladas em diversas ruas para evitar o avanço da repressão.

A lição que podemos extrair dessas manifestações é que a democracia burguesa jamais deve ser legitimada por nós, militantes revolucionários. Os mandatos parlamentares “combativos” e direções sindicais burocratizadas atuaram sempre que possível como um “freio” da mobilização de base. Cabe dizer que nós da OP não queremos ir nem a frente, nem atrás dos trabalhadores, mas respeitando seu tempo, caminhando lado a lado e divulgando nossas propostas sem autoritarismos. Para isso precisamos construir organizações de base que aglutinem os trabalhadores em seus sindicatos, locais de moradia e estudo. Para construirmos um sindicato, movimento popular urbano, estudantil e do campo fortes, precisamos ampliar nossa base social. Construindo e reforçando a metodologia libertária de luta sempre pela base e costurando a unidade entre os diferentes setores de luta. É fundamental também defender a ação direta (sem conchavos eleitorais e parlamentares) e a autonomia dos movimentos (o que significa não transformar os movimentos em correia de transmissão de partidos e governos). Apesar de rejeitarmos a atuação burocrática de determinadas legendas políticas, não achamos que essas serão derrotadas no “grito” ou com os métodos que condenamos. Só quando tivermos força social (base ampla) em determinada categoria que fatalmente a burocracia será questionada.

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A luta por instâncias de base autônomas passam portanto, pelo acúmulo de força social, que significa organização e difusão dos métodos libertários de luta. Apesar do nosso grande desejo de que isso aconteça o mais rápido possível é preciso ter paciência, modéstia e perseverança. Não queremos atropelar a classe trabalhadora e as instâncias de base que integramos, independente de considerarmos o método que defendemos um método mais efetivo (pois parte da experiência do povo) que o dos partidos políticos eleitorais.

Priorizamos nesse sentido, não só fortalecer essas organizações de base que estamos inseridos, mas também realizar o diálogo entre a luta sindical, estudantil, comunitária/popular e do campo sem subordinar nenhum campo de luta a outro. Toda categoria que entra em greve ou vai para a luta isolada precisa de apoio do restante dos trabalhadores ou facilmente será derrotada. É preciso estimular com serenidade, companheirismo e sem sectarismo, que os movimentos onde atuamos, reforcem a unidade entre o campo e a cidade, entre a favela e o asfalto, entre os trabalhadores empregados e desempregados.

Chamamos todos e todas que acreditam que só a organização pode mudar a correlação de forças da sociedade capitalista a se organizarem na OP e nos movimentos sociais que ajudamos a construir.

 Construir o poder popular é organizar o que está desorganizado e articular o que já está organizado! Dar protagonismo aos trabalhadores é empoderá-los nas instâncias de base para sua própria emancipação.

Sabemos que somos um grão de areia no caminho da transformação social. Um grão de areia modesto, mas que com dedicação se soma e se solidariza a
luta da educação e seguiremos marchando, resistindo e lutando até o fim dessa sociedade de exploração e dominação!

Pra frente os que lutam!

Lutar, criar, poder popular! 

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