Resistência do povo contra as remoções no Rio de Janeiro

Posted on 10/07/2013

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No dia 26/06 agentes da Prefeitura e da Defesa Civil estiveram presentes na favela Vila Autódromo, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro, situada próxima a Barra da Tijuca. Na ocasião, diversas casas foram interditadas pela Defesa Civil e a Prefeitura anunciou que iria derrubar as casas notificadas até sexta-feira (28/06), por estarem fazendo melhorias no local. Um morador, que estava na fase final de sua obra, apesar de possuir título de posse em mãos e não ter negociado a saída, também teve sua moradia notificada para demolição.

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A Prefeitura insiste em pressionar os moradores, alegando que estão proibidos de melhorar ou construir casas, o que é totalmente contra a lei, já que as casas continuam pertencendo aos moradores e o caso da comunidade continua na justiça. Enquanto isso, ao lado da ocupação, as obras do Parque Olímpico 2016, sendo realizadas pelo Consórcio Rio Mais, composto pelas empresas construtoras e imobiliárias Andrade Gutierrez, Odebrecht e Carvalho Hosken, indicam claramente a preferência do tipo de ocupação que o Estado burguês pretende estabelecer caso se concretize a remoção.

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No dia seguinte (27/06) dezenas de moradores se reuniram em frente à Associação de Moradores aguardando alguma ação da Prefeitura, prontos a resistir a qualquer tentativa de investida contra a comunidade. Uma funcionária da Prefeitura, que entrou na comunidade, foi obrigada pelos moradores de prontidão a se retirar. Enquanto isso, outro grupo, composto por aqueles que tiveram as casas notificadas, foi ao Núcleo de Terras da Defensoria Pública do RJ, que enviou para a Prefeitura e para a Defesa Civil uma documentação impedindo-os de derrubar as casas. Na sexta-feira 28/06, uma movimentação acima do normal de gente estranha na entrada da comunidade deixou os moradores apreensivos. Estes, então, bloquearam metade da rua que dá acesso à comunidade e passaram a monitorar quem entrava e saía para evitar a realização do despejo e demolição das casas.

Trabalhadores da obra do Parque Olímpico foram utilizados como “olheiros” para ver se a barreira feita pelos moradores havia sido desfeita. Uma retroescavadeira da Prefeitura aproximou-se da rua, mas acabou se retirando para dentro da área da obra. Diversos funcionários da Prefeitura tentaram entrar alegando estar “em visita a amigos”.

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No fim da tarde de sexta, após decisão judicial contrária ao intento da Prefeitura, sustou-se por 10 dias a demolição dos imóveis notificados. Cabe ressaltar que pelo menos 3 dos 4 imóveis notificados pela Defesa Civil para demolição eram justamente aqueles que estavam recebendo melhorias pelos ocupantes, sendo uma clara demonstração da intenção dos governos estadual e municipal em fragilizar a resistência organizada pelos moradores daquela favela.

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A Prefeitura está inconformada com a resistência da comunidade, porém insiste em removê-la. Essa é a mais recente e mais violenta tática usada até agora: intimidação dos moradores para que eles não invistam em melhorias de suas casas e se sintam sem direito e sem expectativa de êxito na resistência.

Mais uma vez, as recentes ações de resistência dos moradores da favela Vila Autódromo demonstram para nós que somente com a organização e ação direta dos moradores de favelas é que se conseguirá barrar as ações de despejos e de demolição de moradias que dão corpo à política de remoção imposta há anos pelo Estado burguês.

(Informações apuradas por um militante da Organização Popular – OP)

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