Nota do MST-RJ sobre os protestos contra o aumento da passagem

Posted on 24/06/2013

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Não é por centavos, é por direitos
2013-06-19

Nota do MST/RJ sobre os protestos contra o aumento das passagens

Acompanhamos nestas últimas duas semanas as crescentes mobilizações contra o aumento das passagens que tiveram, até o momento, o seu ápice nesta segunda (17). Foram mais de 12 cidades mobilizadas e mais de 1 milhão de pessoas, e no Rio de Janeiro foram mais de 150 mil pessoas nas ruas. Podemos dizer que esse fenômeno parece ser uma retomada das lutas de massas. O reascenso percebido em diversos países mundo afora agora pode estar chegando por aqui?

Não associarmos a crescente insatisfação popular com as lutas por direitos organizadas nas ruas por partidos e movimentos sociais nos últimos anos, acreditamos ser um erro. A pauta de hoje pela redução do preço do transporte é o estopim da crítica que se faz ao modelo de desenvolvimento que estamos presenciando nas ultimas décadas, onde tudo se privatiza e há uma crescente perda de direitos por parte da população em nome da governabilidade.

A capacidade que a internet está tendo na convocação dessas mobilizações é muito forte, mas esta não é a única forma de convocação e organização. Isto porque o Movimento Passe Livre – MPL, esta organizado em quase todo o país e a construção das mobilizações se fez no dia a dia das lutas. Aqui no Rio de Janeiro, as mobilizações são puxadas pelo Fórum de Luta Contra o Aumento das Passagens que aglutina diversos partidos e forças.

No todo das mobilizações existe uma crítica presente que questiona as atuais formas de organização da classe como partidos, sindicatos e movimentos sociais que se mostra como processo da crise política atual, o que é uma despolitização com expressão crescente. Isto nos força a refletir, porque uma camada da população não organizada nos coloca a crítica das atuais formas organizativas e de representação, ou seja, as atuais formas organizativas estão conseguindo dar respostas aos problemas do povo e promovem conquistas para a população? É uma questão para analisar e compreender. Que também nos faz pensar da necessidade da retomada urgente do trabalho de base.

As ruas forjam a juventude que está vivenciando pela primeira vez estas mobilizações. Nossa tarefa é de conjuntamente e de forma organizada disputar a pauta e dialogar com estes setores que se mostram indignados, mas que não possuem uma referencia concreta. O importante é trazer essa juventude para a luta e alterar a correlação de forças.

Protestos no Rio. Foto: Alan Tygel

Quando percebermos que a correlação de forças esta favorável, quando ela deixar de virar desculpa, a proposta de superação pode ser tarde.

Não podemos deixar a direita fascista em conluio com as imprensa golpista propagar o discurso de negação aos partidos, movimentos sociais e outras formas de organização coletiva.

Quando as mobilizações se iniciavam a grande mídia (principalmente a Globo, a Band, Record, a Folha de São Paulo e o Estadão) colocavam que as mobilizações eram organizadas por vândalos e baderneiros.

“É hora de pôr um ponto final nisso. Prefeitura e Polícia Militar precisam fazer valer as restrições já existentes para protestos na avenida Paulista”, afirmou a Folha. “Chegou a hora do basta”, foi além. “Espera-se que [Alckmin] passe dessas palavras aos atos e determine que a PM aja com o máximo rigor para conter a fúria dos manifestantes, antes que ela tome conta da cidade”, publicou o Estadão.

Assim também se mostraram os governadores Geraldo Alckmin – PSDB e Sergio Cabral – PMDB, e os prefeitos Fernando Haddad – PT e Eduardo Paes – PMDB de São Paulo e Rio de Janeiro. Referendaram a repressão policial contra os manifestantes e devem ter feito felizes os defensores de mais repressão contra os “baderneiros”, “arruaceiros” e “terroristas”.

Comungando com esta postura absurda, o ministro da justiça José Eduardo Cardozo – PT colocou a disposição de qualquer estado as tropas federais e pediu acompanhamento da Policia Federal para conter as mobilizações.

Com as ações truculentas das policias nas diversas cidades e o crescente número de pessoas e de cidades mobilizadas, a imprensa mudou o seu discurso. Agora apoia e faz a disputa da pauta e das mobilizações implantando temas não prioritários como a questão da corrupção, a celeridade em obras do PAC, à PEC 37 e a violência urbana. Convocando o povo as ruas com as cores verde e amarela.

Temos que ficar alertas porque o risco da direita capitalizar o descontentamento é forte.

Desde o inicio do MPL os protestos baixaram o valor da passagem em 11 cidades. Além de Florianópolis no início do movimento, Aracajú (2012), Vitória (2006), Teresina (2011) e Porto Velho (2011) aceitaram as reivindicações. Em 2013 foi a vez de acontecer o mesmo em Taboão da Serra (SP), Porto Alegre, Goiânia e Natal. O último município a anunciar a medida foi Campinas nesta última quarta-feira dia 12.

Neste momento é importante ter como foco prioritário a redução preço das passagens, mas não podemos perder o foco das nossas pautas mais gerais como exemplo: transporte público, educação, saúde, moradia e reforma agrária.

Nós do MST estamos em total apoio as mobilizações e nos colocamos juntos nas ruas pelas mudanças. Todas e todas de vermelho e com as nossas bandeiras de luta.

TOTAL APOIO AS MOBILIZAÇÕES E
Estamos Na Rua Por:
1. Redução dos Preços das Passagens;
2. Livre Direito de Manifestação: Fim da Repressão Policial, da Criminalização dos Movimentos Sociais e do Uso de Armas Letais e Menos Letais;
3. Dinheiro da Copa e Olimpíada Para Saúde e Educação;
4. Não as Remoções e Despejos;
5. Gestão Democrática das Cidades com Decisão Popular.

Mobilizações Agendadas:
Dia 20/06 as pela redução dos preços das passagens;
Dia 30/06 Ato Nacional puxado pelo Comitê Popular da Copa e Olimpíada.

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