Apreensão na barca Rio-Niterói

Posted on 28/05/2013

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(por: W. Bastos, militante da OP)

Terça-feira 21 de maio de 2013. Eram umas cinco e pouco da tarde. Eu, cansado, saía dum dia de muitos afazeres desde a parte da manhã e seguia para a estação das barcas na Praça XV, no centro da cidade do Rio de Janeiro. Lá me deparei com filas antes das catracas. Encarei-as. Depois passei pelo saguão, feliz por não ter que esperar ali mais um tempo enorme. É que normalmente nos submetem a três longas etapas: esperar antes das roletas; depois penar aguardando no saguão, e, após, mofar mais um bocado próximo ao local de atracação. Dessa vez até que não demorei a entrar na barca.

Fiquei em pé mesmo. Abri um jornal e iniciei minha leitura costumeira. Depois comecei a me sentir espremido. Notei que a embarcação estava demorando muito a desatracar e ficando cada vez mais cheia. Ela estava superlotada, nitidamente acima de sua capacidade de passageiros. As pessoas foram ficando preocupadas, e algumas delas quiseram sair. Mas as portas já tinham sido fechadas.

Um funcionário pediu, pelo auto-falante, que os passageiros em pé nas escadas desembarcassem. Porém, contraditoriamente, a barca permaneceu trancada. Depois de algum tempo, durante o qual várias pessoas conversaram entre si falando estarem dispostas a abandonar o barco, a travessia da Baía de Guanabara se iniciou. Tensa. Muito tensa.

Chegarmos ilesos à Praça Arariboia em Niterói foi um alívio para todos, mas isso não apagou as lembranças dos momentos de apreensão, terror mesmo. A empresa CCR, que administra hoje as barcas, navega num oceano de dinheiro, como a antecessora Barcas S.A., mas nada faz em prol dos usuários do serviço. E ainda detém, como presente do Estado, a administração da Ponte Rio-Niterói (construída com verba pública).

Até quando teremos que aturar os desmandos da máfia dos transportes? Até quando sofreremos as consequências da privatização do transporte aquaviário carioca? A resposta não está na atividade parlamentar ou em meros abaixo-assinados. As soluções não estão nas urnas burguesas ou nos gabinetes dos políticos. Enquanto acreditarmos nessas ilusões, permaneceremos aprisionados e indefesos como passageiros num barco trancado, como escravos num navio negreiro, como gado conduzido ao abate.

A resposta está na organização popular, na atuação efetiva de todos os interessados, na ação direta por um trasporte realmente público, guiado pelo interesse público – e não pelo lucro.

A barca quer nos afundar

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