Nota de esclarecimento e pesar

Posted on 09/01/2013

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Segue abaixo, nota de esclarecimento e pesar publicada pela Diretoria do SINDSCOPE sobre acontecimento lamentável, dentro do Colégio Pedro II, quanto a um estupro praticado por vigilante terceirizado da Instituição contra uma convidada da última festa de fim de ano do SINDSCOPE.

“Rio de Janeiro, 03 de janeiro de 2013.

Nota de esclarecimento e pesar

Na noite do dia 22 de dezembro de 2012, após o encerramento da Festa de Fim de ano do SINDSCOPE, por volta das 22 horas e 30 minutos, um fato de enorme gravidade se sucedeu nas dependências do Colégio Pedro II – estacionamento (área 2) dos Campi São Cristóvão. Na escuridão daquele local e longe dos olhos dos poucos presentes que se retiravam ao encerramento da atividade festiva, um vigilante da firma terceirizada que presta serviços ao Colégio Pedro II, fardado e armado, aproveitando-se da sua condição de ‘segurança’, acompanhou uma das nossas convidadas até uma suposta saída do Colégio onde perpetrou, segundo depoimento da vitima à polícia, ato torpe, sem qualificativo e de enorme gravidade para toda a nossa comunidade escolar. O referido vigilante estuprou nossa convidada, ameaçando-a com arma de fogo, fato registrado no seu depoimento à polícia civil. Para tornar o ato de violência sexual ainda mais grave, a nossa convidada, e agora aviltada na sua dignidade, era uma índia que nos honrava com a sua visita representando a Aldeia Maracanã que no presente momento sofre assédio dos governos federal, estadual e municipal.

O fato só não teve o desfecho corriqueiro de muitos outros estupros que infelizmente ainda ocorrem com as mulheres brasileiras porque os membros da Diretoria do SINDSCOPE, ainda presentes à finalização do evento, intervieram imediatamente chamando a polícia para apurar as graves acusações feitas pela nossa convidada. O nosso objetivo foi abreviar o sofrimento da vítima, bem como tomar as providências cabíveis contra este tipo de ato e crime considerados hediondos.

O Vigilante foi autuado em flagrante pela polícia, sob a acusação de estupro de pessoa vulnerável. Durante toda a madrugada, até a manhã seguinte, diretores do SINDSCOPE acompanharam a vítima pelas esferas competentes da justiça, até o seu retorno para a Aldeia Maracanã, já na companhia do seu noivo, também índio da etnia pataxó.

Entendemos que este caso de estupro, ainda que isolado em nossa instituição, e não apenas pelo seu conteúdo simbólico dentro de um colégio que abriga os vários segmentos do ensino básico, não deve ser apenas acompanhado por toda a comunidade escolar, deve também ser entendido dentro de um quadro mais amplo. É preciso analisar o triste fato como parte de um problema maior, como uma política do estado para a educação pública, onde uma firma de segurança patrimonial, terceirizada, é designada para atender as especificidades de uma instituição educacional, totalmente distanciadas daquelas estabelecidas no seu contrato social. Estas especificidades são ignoradas e contrapostas à padronização da ideia de segurança onde as pessoas perdem importância diante do conjunto arquitetônico ou de bens materiais a serem preservados e onde o trato mais específico e pedagógico com estudantes perde espaço para a “eficiência” na guarda desses espaços e bens materiais.

O SINDSCOPE ciente das variadas conexões que um fato como esse possui, rejeitando a visão simplista de pura fatalidade, continuará se empenhando em não apenas zelar pela segurança da nossa omunidade, mas, sobretudo, para tornar os nossos campi adequados ao ingresso e circulação de todos, ainda que na qualidade de convidados. Esse triste e revoltante caso acaba por demonstrar a nossa vulnerabilidade na sociedade em que vivemos, especialmente das mulheres, dos negros, dos índios. Infelizmente o episódio nos mostra que mesmo na aparente segurança do nosso Colégio estamos sujeitos a esse tipo de violência. Não podemos simplificar ou minimizar as coisas, precisamos aprofundar o debate sobre a capacidade e construção da compreensão daqueles e daquelas que trabalham numa instituição de ensino das suas responsabilidades e tarefas de integrantes de um processo muito mais amplo do que se imagina.

Enfim, continuaremos a dar todo apoio jurídico e político a vitima, da mesma forma que sempre agimos em outros episódios relacionados àquele ou àquelas que já se sentiram oprimidos ou oprimidas no Colégio Pedro II. O correto em nossa instituição é que fatos como este possam ter o mesmo tratamento, ágil e transparente, necessários à solução de cada problema que se apresenta.

Sem mais, reafirmando a nossa disposição para a luta.

 

DIRETORIA DO SINDSCOPE“.

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